Presidente da FGF teme que decisões causem desempregoA polêmica quanto aos horários dos jogos de futebol no Rio Grande do Sul ganhou mais um capítulo ontem. O Sindicato dos Atletas Profissionais do RS protocolou uma emenda à inicial na Justiça do Trabalho requerendo que os jogos sob responsabilidade da CBF também fossem incluídos na decisão de proibir partidas entre às 10h e 18h por causa do calor excessivo. O juiz Rafael da Silva Marques não só acatou o pedido como ampliou o rigor acerca da questão.
A nova decisão do juiz determina que: jogos do Campeonato Gaúcho das séries A e B, bem como da Copa do Brasil, estão proibidos de serem realizados entre as 18h01min e as 19h29min quando a temperatura atingir ou for superior a 35 graus. A partir de agora, o árbitro terá que medir a temperatura antes de dar início aos jogos marcados entre 18h e 19h30min. Em caso de descumprimento, será aplicada uma multa pesada.
A decisão da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul repercutiu nacionalmente. O jogo entre Cerâmica de Gravataí e Paraná Clube, amanhã, pela primeira fase da Copa do Brasil, já foi remanejado das 16h para as 18h, no estádio Passo D''Areia, em Porto Alegre, por conta da nova decisão. "O atleta treina no calor, é preparado para isso. A questão, infelizmente, não está mais no nosso poder. É um momento triste para o futebol gaúcho", lamentou o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Novelletto.
O juiz do Trabalho Rafael da Silva Marques justificou sua decisão tendo como base a "razão da saúde do trabalhador, bem este de interesse geral, relacionado à dignidade humana, e que se sobrepõe aos interesses contratuais e econômicos de clubes e redes de televisão". Sindicatos de Atletas de outros estados, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, já estão se mobilizando para seguir o exemplo do sindicato gaúcho.
A maior preocupação da FGF e de dirigentes do futebol gaúcho é quanto a Segundona. "Estamos preocupados. Daqui a pouco não vai mais ter campeonato. A Segundona não pode parar. São mais de 600 jogadores que precisam do emprego", diz o presidente do Cerâmica, Décio Becker.
C do Povo