Claudério Augusto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Em 1ª convocação de 2010, Dunga causa risos e constrangimentos


O ano começou para Dunga e seus colegas de comissão técnica na Seleção Brasileira. Ano, aliás, esperado desde quando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, anunciou o ex-volante como grande líder de um processo de renovação da equipe verde e amarela, logo após a eliminação na Copa de 2006. Passaram-se muitos amistosos, competições, até títulos, e o Dunga que vemos atualmente, como o desta terça-feira, na convocação para o amistoso de 2 de março, contra Irlanda, traz não só aquele semblante sério, conhecido do grande público já, como também um misto de emoções e reações que só poderão ser interpretadas com base no desempenho brasileiro no Mundial da África do Sul.

Do mesmo modo que é fanático, o torcedor brasileiro também é implacável - em caso de fracasso - com os responsáveis por comandar a Seleção. Dunga sabe que, se vir o jejum de títulos mundiais do Brasil se estender para oito anos, de nada adiantarão os títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações do ano passado. Nem mesmo a bela campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas. Esse foco faz com que o técnico mantenha a seriedade em todas as perguntas que lhe são feitas, mesmo quando arrisca uma brincadeira entre uma resposta e outra, e sempre deixe claro que o que faz - e diz - é para o torcedor. Só para ele.

Exemplo: logo após convocar a Seleção nesta terça, Dunga participou de uma coletiva de imprensa e foi questionado por um repórter sobre a recuperação do zagueiro Juan, presente na lista divulgada minutos antes. "Ficamos felizes por ele (Juan) ter se recuperado, voltando a jogar com nós (sic)", disse o técnico, que se corrigiu usando a palavra "conosco". "Para ninguém falar que eu não sei falar português", completou o comandante, em uma risada que durou poucos segundos - logo em seguida voltou o rosto fechado e a insistência em explicar para o torcedor que sua Seleção se resume em trabalho e amor à camisa.

Em toda a entrevista, Dunga bateu nessa tecla e também deixou claro que seu grupo está praticamente fechado, com os jogadores que corresponderam às expectativas sob seu comando, apesar de não confirmar nomes. E se justificou: "vocês (jornalistas) querem grandes nomes, mas para nós não existe pequeno ou grande, e sim um jogador que consegue exercer a sua qualidade. Tudo o que a gente faz tem uma sequência, não tem mais tempo para surpresa".

Surpresa, leia-se, o então aguardado retorno de Ronaldinho à Seleção já contra a Irlanda. Sobre isso, Dunga afirmou que o meia-atacante do Milan tem chances de aparecer entre os 23 convocados à Copa, defendendo o jogador, inclusive, quando um repórter o rotulou como um atleta que só passou a pensar em voltar à equipe com a proximidade do Mundial - no final, o constrangimento ficou com o autor da pergunta. Daí a confirmar se ele estará na África do Sul ou não tem uma longa distância. Talvez por isso, o técnico mantenha o semblante fechado ao ouvir perguntas cujo objetivo é adiantar a lista da Copa. "Vai ter que esperar, até lá tem tempo para pensar. Tem várias possibilidades, até lá tem tempo". E ponto.


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