Ao estacionar seu caminhão na rampa de um posto de combustível às margens da BR-282 em Ponte Serrada, na madrugada de terça-feira (19/01), o motorista Alessandro Machado, de 23 anos, teve seu veículo bloqueado pelo serviço de GPS.
Após tentar, sem êxito, ligar para a central e desbloquear o caminhão, Alessandro foi até a loja de conveniências do posto – do qual não havia utilizado nenhum serviço ou produto – tomar um café. Neste momento, um dos frentistas ordenou a Alessandro que retirasse seu caminhão da rampa. E passou a agredir verbalmente o motorista, armando-se a seguir de um porrete (taco) e partindo para agressão física.
Alessandro foi até o caminhão e pegou uma faca para defender-se. Conseguiu tirar o porrete do frentista e correu atrás dele com uma faca, sem conseguir atingi-lo. Mesmo assim, Alessandro foi detido por policiais e conduzido ao presídio de Xanxerê, onde até ontem estava detido sob acusação de tentativa de homicídio, embora seja primário e sem qualquer registro de ocorrência policial.
Essa é a versão oferecida ontem pelo pai de Alessandro, o também caminhoneiro (impossibilitado de trabalhar por motivos de saúde) Bento Alves Machado, 52 anos, que convocou a reportagem da Folha Regional e da Rádio Princesa, também para reclamar do enfoque dado por reportagem de TV – exibida a nível nacional.
Segundo Bento, seu filho foi vítima de agressão e agiu em legítima defesa – argumento que, segundo ele, a reportagem da TV não abordou. Bento – que é hipertenso, diabético e tem outras enfermidades que o impossibilitam trabalhar. Ele mora com o filho, que o sustenta, à Rua Mário Bento dos Passos, 316, no Bairro Cordeiros em Itajaí – está sendo apoiado pelo Presidente da regional do Sindicato Nacional dos Transportadores Autônomos (Sinditac), Raul Bastos da Rocha, e aguarda decisão da Justiça de Ponte Serrada, onde constituiu advogado para libertar Alessandro, detido no presídio de Xanxerê.
Raul observa que atualmente muitos postos de combustível não dispensam nenhum tratamento de cordialidade ou hospitalidade com motoristas que não usam produtos e serviços oferecidos – o que teria provocado a ira do frentista contra Alessandro.
“Se o cara não é cliente eles (frentistas) atropelam do pátio, não deixam nem dormir no pátio. A situação é muito crítica para o transportador e essa situação mostra isso”. Raul acrescenta que “lamentavelmente, uma emissora de TV já passou três ou quatro vezes essa reportagem, chamando esse moço de mau caráter. Infelizmente essa gente está enganada, esse rapaz (Alessandro) é um trabalhador”, protesta Raul.
Ele pediu para ser ouvido novamente pela TV, mas o repórter que fez a matéria até ontem não havia dado resposta. O advogado Arildo Camargo Lima, de Ponte Serrada, informou à reportagem ter entrado ainda na sexta-feira com pedido de liberdade provisória de Alessandro junto ao fórum da comarca, mas até o meio da tarde de ontem não havia recebido resposta. O advogado confirma que Alessandro não tem antecedentes, trabalha em empresa de transportes, possui endereço fixo e não possui passagens na polícia.
Romeu Scirea Filho – Folha Regional