Claudério Augusto

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Plano para invadir terras descoberto

Grupo estaria oferecendo dinheiro para convencer famílias a ocuparem área. Um dos líderes foi preso

O coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Santa Catarina, Altair Lavratti, 44 anos, foi preso na noite em ontem em Imbituba, Sul do Estado. A prisão faz parte de uma operação da Polícia Militar e Ministério Público para evitar tentativas de invasões a áreas públicas na cidade.

Uma operação foi montada pela PM para cumprir quatro mandados de prisão preventiva decretados pelo juiz de Imbituba, Welton Rubenich. Cerca de 30 PMs, a maioria do Pelotão de Patrulhamento Tático, foram mobilizados.

Lavratti foi preso por volta das 21h, quando comandava uma reunião com moradores num galpão de uma usina de reciclagem de lixo.

Havia mais seis pessoas no lugar de difícil acesso. Outras três pessoas com prisão decretada não foram encontradas no local. São sindicalistas ligados ao MST que estão sendo monitorados e devem ser presos hoje em cidades do Sul do Estado.

O major Evaldo Hoffmann, comandante da PM em Imbituba e responsável pela operação, disse que os investigados estavam arregimentando famílias da região para invadir áreas da Zona de Processamento e Exportações (ZPE) e do BNDES.

– Cada líder comunitário que recrutasse 10 famílias ganharia R$ 2 mil de prêmio – apurou o major Hof­fmann em conjunto com o Ministério Público.

Lavratti e as outras três pessoas ligadas ao MST eram investigadas desde dezembro. Há escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Os investigados também eram monitorados quando faziam reuniões.

O major Hoffman revelou que as invasões aos espaços públicos aconteceriam na madrugada de domingo. Ele estima que o MST levaria até 150 famílias de cidades da região. Para reunir o maior número de participantes, o MST teria oferecido água e luz, e cestas básicas às famílias.

Segundo o comandante da PM, as prisões foram pedidas em conjunto com o MP por fortes indícios de formação de quadrilha e para evitar crimes como, dano e incitação à violência.

Num dos diálogos gravados, um dos interlocutores pede aos supostos participantes do MST para irem armados com facas e foices para o caso de policiais militares tentarem evitar a invasão. Mas nenhuma arma foi encontrada na prisão do coordenador do MST.

Suposto líder do esquema diz que prisão foi uma injustiça

Altair Lavratti não foi algemado. Ainda no galpão, declarou que a sua prisão foi injusta. Em tom de ironia, disse que os policiais deveriam parabenizar quem expediu o mandado de prisão. Na bolsa, carregava a bandeira do MST, anotações do movimento e panfletos contra a criminalização de movimentos sociais.

– Estou cumprindo papel social. Não deveria passar por isso. Com tantos homicídios por aí, a polícia recai sobre nós – disse Lavratti.

Ele negou que estivesse mobilizando a invasão.

O coordenador disse que a luta do MST irá continuar em SC. O objetivo, segundo ele, é ocupar terras em busca da reforma agrária. Lavratti disse que a violência do MST é contra o capitalismo e não contra as pessoas.

Ele seria encaminhado ao presídio de Imbituba. Os integrantes da força-tarefa esperam que o MST desista das invasões na região. Nos próximos dias serão feitas barreiras na BR-101 para tentar bloquear ônibus ou caminhões em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal e o Deter.


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