Claudério Augusto

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ingredientes de alisantes de cabelo podem induzir mutações no DNA

Substância mais perigosa é o ácido presente em alisantes tipo henê

Um estudo feito por pesquisadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faberj) indica que algumas substâncias presentes nos principais alisantes usados no Brasil podem ter ação mutagênica, ou seja, transformam o DNA.

Coordenada pelo cientista Israel Felzenszwalb, do Laboratório de Mutagênese Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pesquisa mostra que a substância mais perigosa é o ácido pirogálico, ou pirogalol, presente em alisantes industriais do tipo henê. Desde 1976, a Comunidade Europeia mantém o pirogalol na lista de substâncias proibidas como ingredientes para cosméticos. No Brasil, porém, ainda é permitido sem restrições pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As análises de oito compostos que trazem riscos à saúde ainda estão em fase incial, mas já é possível comprovar que substâncias como o pirogalol, isoladamente, poderiam alterar a sequência dos genes do DNA. Resta provar que as substâncias continuam perigosas mesmo quando misturadas a outros ativos.

A Anvisa propôs, em 2005, atualização da lista de substâncias proibidas no Mercosul em conformidade com a lista europeia. Desde então, empresas do ramo buscam argumentos que detenham essa padronização, já que o pirogalol, que entra na composição do alisante henê, é bastante consumido no Brasil. O produto atende mais as características dos consumidores brasileiros do que dos europeus. Mesmo com a variedade de novas técnicas e produtos para alisar os fios, o henê, que é um produto de baixo custo, representa cerca de 22% do mercado brasileiro de cosméticos de transformação para cabelos.


AGÊNCIA O GLOBO